21-12-2012 (Comeram o Kadafi antes dele morrer – Que merda!) 15:31PM
SOBRE A MINHA REVOLTA CONTRA OS CYBERS-REVOLTADOS
Pessoas se revoltam nas redes sociais quanto à crueldade contra um animal indefeso. Incrivelmente não se revoltam contra a crueldade mútua, praticada todos os dias, por seres humanos contra seres humanos. Talvez seja porque o pequeno animalzinho não possa reagir. É a covardia que nos revolta, mas nós também, seres humanos, estamos morrendo todos os dias, por pura crueldade nossa, e isso me parece não nos revoltar. E é bom que se diga que não há morte que não seja cruel. A morte de um, na maior parte dos casos, implica na condição de mortos-vivos para as famílias que ficam. Mas dificilmente o ser humano se sensibiliza com a morte cruel praticada contra a própria espécie. Para essas mortes a classe média não se revolta no Twitter, no Facebook e nem no Youtube. A classe média não é só média na sua economia. É interessante perceber que o ser humano não se revolta coletivamente contra aquilo que possa ameaçá-lo em sua individualidade. Promover revolta virtual contra aquilo ou quem não possa reagir é mole. Pena que as pessoas não se revoltam no seu dia-a-dia, no seu cotidiano, contra uma série de injustiças praticadas por nós, contra nós. O ser humano é mesmo hipócrita. Ao invés dos ‘pitis’ dessa geração de cyber-revoltados, prefiro a revolta de centenas de pobres trabalhadores pobres, filhos do esquecimento, que na semana passada se revoltaram contra a companhia de trem que presta serviços na cidade do Rio de Janeiro. Depois de ficarem quase dez minutos trancados no vagão que quebrou em cima dos trilhos, a multidão foi à luta. Um por um, passageiros deitavam-se sobre os trilhos como forma de protesto. Palavras de ordem eram gritadas pela multidão e ao final, a declaração triunfal de um magricela, baixinho, pelo sotaque, nordestino, e aparentemente homossexual, para uma repórter da Rede Globo que fazia uma matéria no local: “Nós não vamos mais aceitar que essa empresa apronte essa palhaçada com a gente! É sempre isso! A gente paga caro pra ser tratado com dignidade e com respeito”. Alguns em meio à multidão foram presos pela Polícia Militar, inclusive o valente gigante-baixinho, nordestino-brasileiro, gay e grande homem que gritou forte e grosso contra o conformismo das injustiças diárias. Os chiliques justos da classe média me sensibilizam, mas a revolta popular dos pobres não me soa hipócrita.